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5 situações em que acupuntura em bebês pode ajudar

Nos últimos anos terapias complementares e integrativas, como a auriculoterapia e a acupuntura em bebês, ficaram mais populares entre as mães. Essas técnicas são usadas há milênios pela Medicina Tradicional Chinesa (MTC), e apostam na restauração de fluxos de energia corporais por meio do estímulo de pontos específicos.

Há alguns anos, cada vez mais estudos têm tentado avaliar a eficácia e a segurança dessas terapias no tratamento da dor, de náuseas e vômitos nos pequenos. Embora os dados científicos sobre isso ainda sejam limitados, os resultados na prática são animadores.

Nesse post, você vai encontrar informações sobre como a acupuntura age no corpo do bebê e conhecer 5 condições em que essa terapia pode ser uma aliada. Confira!

Bases biológicas da acupuntura 

Como dissemos, existem várias modalidades de acupuntura e terapia por pressão. Essa estimulação pode ser feita por meio de agulhas, sementes e até por meio de laser, dependendo da linha de abordagem escolhida pelo profissional. Existe, ainda, a estimulação elétrica não invasiva, que não utiliza agulhas e pode ser uma boa alternativa para crianças.

Embora as crianças não sejam seres plenamente desenvolvidas fisiologicamente, anatomicamente ou energeticamente, a medicina tradicional chinesa acredita que elas possam se beneficiar da terapia por pressão. Isso porque elas têm pontos de acupuntura em suas extremidades, abdômen e face que podem ser explorados sem provocar dor.

À despeito do seu fundamento biológico, a teoria mais bem estabelecida sobre a ação da acupuntura sugere que, ao ser realizada a estimulação dos pontos, ocorre liberação de substâncias neuroquímicas, como endorfinas, encefalinas e serotonina.

Tem comprovação científica?

Pesquisas em animais mostram, também, atividade sobre o sistema opióide em várias estruturas do sistema nervoso central. Opióides são compostos químicos produzidos pelo próprio corpo que produzem o efeito de alívio da dor. 

Outra teoria sugere que a acupuntura faça a mediação no sistema nervoso autônomo, isto é, em nervos que controlam vísceras e funções involuntárias, como respiração, controle da temperatura corporal e digestão. O sistema nervoso autônomo ativa respostas em todo o corpo quando estamos em situações de perigo/ameaça e também quando estamos relaxados. A acupuntura pode, então, modular essas respostas, ajudando a aumentá-las ou diminuí-las. 

Por fim, ela permite aumentaria o fluxo de sangue no lugar estimulado, e incrementaria a produção de óxido nítrico, um vasodilatador natural. É importante ressaltar, no entanto, que essas são práticas auxiliares complementares e não devem substituir o tratamento convencional de nenhuma doença. 

Início e contraindicações da acupuntura em bebês e crianças

Não existem muitas contraindicações à acupuntura, exceto para crianças que têm distúrbios da coagulação. Se esse for o caso, a modalidade com agulhas deve ser evitada devido ao risco de sangramento.

Entretanto, é muito importante checar a qualificação do profissional que você está buscando, e sua experiência com crianças menores. Lembre-se que a anatomia dos pequenos é toda diferente, e eles também são mais sensíveis.

Em 2016, um estudo publicado na renomada Nature experimentou usar a acupuntura como forma de reduzir a dor em neonatos que necessitam de terapia intensiva. Assim, estima-se que essa seja sim uma prática segura logo nas primeiras semanas de vida. 

Apesar disso, não existe nenhum estudo que convencione a idade ideal para início dessa terapia. Por isso, é sempre indicado conversar com o pediatra sobre a sua vontade de recorrer às terapias complementares. Como tudo na medicina é individualizado, é sempre bom ter respaldo médico para não passar nenhum sufoco. 

As peculiaridades da acupuntura em bebês

Uma das grandes dificuldades da acupuntura em bebês é o medo que os pequenos têm de agulhas. Em idades mais avançadas, isso pode ser contornado por meio de um ambiente lúdico e que passe segurança no pré-tratamento. Brinquedos, como fantoches de mão ou figuras, podem ser usados ​​para relaxar as crianças e reduzir a ansiedade. 

Outra estratégia é iniciar o tratamento com acupressão em crianças menores, e só depois evoluir para as agulhas. É pertinente lembrar que crianças toleram ficar menos tempo com as agulhas em relação aos adultos, por isso, as sessões podem ser mais curtas. 

Se seu bebê apresentar sinais de superestimulação, como irritabilidade, rubor, letargia ou inquietação, o tratamento deve ser interrompido. A tendência é que essa tolerância à estimulação aumente com a idade. 

Na sequência, conheça 5 condições de saúde cujos tratamentos podem ser complementados pela acupuntura!

1.Náuseas e vômitos

A maior e mais relevante pesquisa feita sobre acupuntura pediátrica diz justamente dos seus efeitos sobre náuseas e vômitos. Mesmo com tantos avanços da indústria farmacêutica, náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, por exemplo, continuam a atormentar as crianças. 

Esses sintomas podem influenciar particularmente a qualidade de vida, aumentar o estresse emocional e intensificar o enfraquecimento, a letargia e a fraqueza relacionadas ao câncer. O controle desses sintoma é feito pela estimulação de um ponto localizado acima da dobrinha do punho. 

Nesse contexto, técnica pode ser feita com agulha, mas também com estimulação elétrica sem agulha (eletroacupuntura não invasiva) ou mesmo só com acupressão.

2.Rinite Alérgica Sazonal

A rinite alérgica é o quadro de espirros, secreção e congestão nasal e, eventualmente, conjuntivite, que a criança pode desenvolver ao entrar em contato com alérgenos como o pólen. Geralmente, ela é tratada com anti-histamínicos e corticosteróides, mas as taxas de insatisfação com a eficácia desses medicamentos e seus efeitos colaterais é grande.

Entretanto, existem poucos estudos robustos sobre o uso de acupuntura para tratar essa condição. Apenas estudos pequenos mostraram a melhora dos sintomas durante o tratamento e até mesmo desaparecimento deles em alguns dias.

O problema, no entanto, é que os benefícios da acupuntura para controle dos sintomas de rinite parecem se esgotar depois de 10 semanas de tratamento. Sugere-se, portanto, que acupuntura ajude a aliviar os sintomas da rinite, mas a duração e a frequência das sessões precisa ser melhor esclarecida pela ciência.

3.Enurese noturna

Trata-se da condição em que a criança faz xixi involuntariamente à noite após os 5 anos de idade. Nessa faixa etária espera-se que uma criança saudável já tenha atingido a continência, isto é, o controle dos seus esfíncteres.

As causas da enurese noturna não são completamente estabelecidas, mas o tratamento convencional atua em padrões químicos que influenciam a atividade neuromuscular da bexiga e também no comportamento das crianças, visando alterar a excitação e capacidade de armazenamento da bexiga.

A acupuntura, nesse transtorno, induz alterações do equilíbrio que fortalecem rim, baço e também agem na regulação do cérebro. Um estudo realizado com crianças entre 5 e 16 anos mostrou bons resultados, indicando que a técnica pode ser uma alternativa válida no tratamento.

4.Dor

Poucos estudos relevantes foram feitos para avaliar o alívio da dor em crianças por meio da acupuntura, mas os experimentos em adultos mostram melhora dos episódios. Os tipos de dor crônica mais comuns na infância são dor de cabeça, dor abdominal, dor nas costas, dor no peito e dor relativa ao câncer. 

A literatura mostra que a acupuntura em crianças na modalidade a laser causou diminuição significativa no número de episódios de enxaqueca ou dor de cabeça tensional ao longo do mês, além de redução na gravidade da dor. São recomendadas, portanto, sessões de prevenção em jovens e adultos quando medicamentos de primeira linha não funcionam. A acupuntura também é considerada uma terapia segura e efetiva no tratamento da dor pós-operatória em crianças.

Em concordância com isso, a acupuntura em bebês internados em terapia de cuidado intensivo parece também diminuir a dor durante procedimentos. O parâmetro usado para que se chegue a essa conclusão é a duração do choro dos recém-nascidos que fazem parte do estudo. 

5.Transtornos gastrointestinais e cólicas

Você se lembra do que falamos sobre a acupuntura mediar respostas do sistema nervoso autônomo (SNA)? Voilà! O SNA comanda a motilidade gastrointestinal e, por isso, acredita-se que a estimulação dos pontos seja útil na modulação desses movimentos e, também, no controle da secreção ácida e da dor visceral. 

A mesma hipótese de aplica à síndrome do intestino irritável (SII): trata-se de um distúrbio da motilidade intestinal que causa desconforto abdominal, dor, diarreia ou constipação por até 3 meses. Nos exames, todavia, não é possível encontrar alterações na estrutura do intestino ou alterações bioquímicas que justifiquem o problema. Assim, dizemos que a SII é um transtorno funcional. 

Ademais, é bem aceita, atualmente, a teoria de que ela pode ser desencadeada por um desbalanço no eixo entero-cerebral. Afinal, você sabia que 90% da nossa serotonina — hormônio do bem-estar — é produzida no intestino? Pois é, isso explica o porquê das manifestações intestinais estarem tão relacionadas ao estado psíquico.

Infelizmente, os trabalhos realizados até hoje avaliaram um número pequeno de pacientes em tratamento de diarréia, cólica e constipação infantil com acupuntura. Alguns resultados mostraram redução na intensidade e duração do choro desses bebês; outros não mostraram melhora significativa. Diante dessas divergências, mais pesquisas são necessárias para explorar o papel dessa terapia nessas doenças. 

Concluindo…

Existem pesquisas em curso tentando avaliar o impacto da acupuntura em diversas outras condições de saúde, como transtorno do espectro autista e asma. Infelizmente, muitas delas têm falhas de metodologia que nos impedem de afirmar a eficácia da acupuntura em bebês e crianças.

De qualquer maneira, você pode perceber que a acupuntura em bebês é uma prática alternativa com potencial de melhorar a qualidade de vida, principalmente com relação a náuseas, vômito e dores crônicas, como a dor de cabeça. 

Converse com seu pediatria e estabeleçam juntos um plano de cuidados para o bebê aliando as terapias convencionais às alternativas. Vale a pena! 

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Noeh, tecnologias para cuidar da vida!

Espero que tenham gostado! Se tiver dúvida é só perguntar!

Um abraço apertado, com carinho da Noeh

 

Referências

  1. Jindal V, Ge A, Mansky PJ. Safety and efficacy of acupuncture in children: a review of the evidence. J Pediatr Hematol Oncol. 2008;30(6):431‐442. doi:10.1097/MPH.0b013e318165b2cc
  2. Murg K, Raith W, Urlesberger B. Use of Acupuncture in an Infant with Restlessness and Agitation. Medicines (Basel). 2018;5(2):55. Published 2018 Jun 13. doi:10.3390/medicines5020055
  3. Brittner, M., Le Pertel, N., & Gold, M. A. (2016). Acupuncture in Pediatrics. Current Problems in Pediatric and Adolescent Health Care, 46(6), 179–183. doi:10.1016/j.cppeds.2015.12.005 
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