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O que fazer e o que não fazer durante o desfralde do bebê

By agosto 18, 2020agosto 22nd, 2020One Comment

Para grande parte dos marcos do desenvolvimento infantil, quanto mais cedo acontecer, melhor. O desfralde do bebê, no entanto, deve acontecer na hora certa, em sincronia com o desenvolvimento neuropsicomotor de cada criança.

Isso porque treinar os esfíncteres — músculos que controlam a evacuação e a micção — é um processo complexo, que pode ser influenciado por questões anatômicas, fisiológicas e comportamentais. Embora pareça algo totalmente intuitivo, tirar a fralda do bebê exige tempo, técnica, paciência e comunicação. 

No post de hoje você descobre como identificar que chegou a hora de fazer o desfralde do bebê. Vamos ensinar, também, algumas técnicas para fazê-lo sem criar traumas. Confira!

O que é treinamento de esfíncter?

Como você já sabe, nosso corpo contém músculos que se contraem voluntariamente e involuntariamente. Os músculos que definem se fazemos xixi ou cocô, por exemplo, são voluntários (ainda bem!). Assim, nós só enviamos o comando de que eles podem relaxar quando chegamos ao banheiro e estamos em condições apropriadas para tal. 

Mas, nós não nascemos sabendo, e nem nossos bebês.

Isso significa que a criança precisa aprender identificar fisicamente a vontade de ir ao banheiro, a controlar esse impulso até chegar ao ambiente apropriado, e só então dar o comando para os esfíncteres. Tudo isso demanda um desenvolvimento físico e psicológico, principalmente porque acontece em uma fase em que a família tem expectativas em direção a ela e ela também precisa se autoafirmar. 

Uma parte desse processo é natural, e seu filho apresentará sinais de que está pronto (sinais de prontidão) para ser treinado quando estiver consciente da própria necessidade de eliminar fezes e urina. Entretanto, o treinamento em si precisa ser feito pelos pais com a colaboração de todos os cuidadores do bebê. 

Quando deve acontecer o desfralde?

O estilo de vida atual tem algumas características que fizeram com que as crianças demorassem mais a mostrar que estão prontas para o desfralde. A primeira delas é a menor convivência com os pais, já que eles trabalham cada vez mais e têm menos tempo para treinar seus filhos. 

A segunda característica que parece ter contribuído para a maior demora no controle dessa habilidade é o uso de fraldas descartáveis. Isso porque as fraldas atuais deixam o bebê super sequinho e praticamente eliminam o seu desconforto em ficar sujo.

Atualmente, a média das crianças atinge o treinamento de esfíncteres com 36 meses (3 anos), sendo que as meninas tendem a aprender mais cedo que os meninos. Isso, no passado, acontecia por volta dos 24 meses (2 anos). 

Em síntese, a fase treinamento em si, antes de atingir a autonomia total, pode levar de 6 meses a 1 ano. E não se espante se o bebê dominar o controle da defecação antes do da micção. Isso é esperado mesmo!

Sem dúvidas, a mensagem mais importante que queremos deixar sobre o desfralde é: nunca pressione seu filho a iniciar o processo de treinamento se ele ainda não tiver manifestado sinais de prontidão. Saiba que o treinamento precoce demais (antes dos 2 anos) ou tardio demais (depois dos 3 anos) pode apresentar relação com o aparecimento de problemas da função da bexiga.

Quais são os sinais de prontidão?

Os sinais de prontidão para o desfralde sinalizam que é hora do papai e da mamãe entrarem em ação. Se eles não aparecerem entre o 2º e o 3º ano de vida, você deve conversar com o pediatra e fazer exames para eliminar a possibilidade de uma disfunção da bexiga e do intestino ou de uma infecção de urina. 

Como dissemos, estar pronto para o treinamento dos esfíncteres é um dos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor. Para identificá-lo, você pode observar alguns comportamentos que costumam acompanhar a maturidade para o desfralde, são eles:

  • é capaz de dizer “não”, sinalizando sua autonomia;
  • levanta e abaixa as roupas sozinha;
  • faz expressões faciais ou gestos que sinalizam a vontade de ir ao banheiro;
  • entende e responde a comandos simples;
  • domina um vocabulário básico relativo à necessidade de fazer xixi e cocô;
  • anda e senta com estabilidade, sem precisar de ajuda;
  • imita o comportamento dos pais;
  • se comporta querendo agradar outras pessoas;
  • fica sequinha por mais de 2h;
  • avisa que está fazendo xixi ou cocô na fralda ou durante o banho, e se incomoda enquanto não é trocada;
  • tenta puxar a fralda molhada ou pede para ser trocado;
  • pega pequenos objetos;
  • recusa-se a usar fralda e tem interesse por calcinhas ou cuecas;
  • brinca por mais de 5 minutos com a mesma coisa;
  • aponta mostrando o que quer;
  • fala frases simples.

Na prática, como fazer o desfralde?

Garanta um alinhamento de ideias

Sente e converse com seu parceiro ou parceira, escolham um horário em que vocês estejam disponíveis para dar toda a atenção à criança e aproveitem bem os finais de semana para treinar. 

É muito importante orientar também a escola, a vovó ou qualquer outra pessoa que cuide do bebê de que o treinamento está em curso e como fazê-lo. Se o processo foi iniciado em casa, ele deve prosseguir em todos os outros ambientes. 

Se o bebê fica na creche, assegure-se de que não está sendo definido um horário padrão de treinamento de esfíncteres para todos os coleguinhas. Afinal, você já sabe que esse é um aprendizado que requer respeito ao nível de desenvolvimento do seu filho e ao aparecimento dos sinais de prontidão.

Segurança e praticidade em primeiro lugar

O banheiro precisa ser um ambiente seguro, livre de produtos de limpeza ou higiene que sejam tóxicos ou nocivos para a criança. Em primeiro lugar, o instrumento utilizado para o treinamento, seja vaso sanitário ou penico, deve ser firme e limpinho.

Em segundo lugar, o lugar deve ser agradável, porque algumas crianças criam repulsa do banheiro por causa do cheiro ou por medo do barulho da descarga, por exemplo. Por fim, procure vestir a criança com roupas fáceis de serem retiradas, isso reduz o tempo para se despir e dá autonomia a ela.

Penico versus vaso sanitário

Geralmente, as crianças se sentem mais seguras com o penico, porque as pernas ficam bem apoiadas, ele pode ter uma decoração lúdica, não possui água no fundo, além de ser portátil. Se você optar por usar o penico, deixe que seu filho escolha a cor e a estampa como se fosse qualquer outro objeto pessoal dele. 

Seja como for, o objeto deve ser colocado em um ambiente de acesso rápido para o bebê. Antes de começar o uso de verdade, deixe com que ele se familiarize com o penico e incentiva-o a sentar nele de roupa mesmo, sem nenhuma expectativa. 

Com o tempo, você pode incentivá-lo a sentar-se no penico depois de retirar de uma fralda com xixi ou cocô. Você pode, ainda, colocar o conteúdo da fralda dentro do penico para que o pequeno comece a entender qual é a sua finalidade.

Por fim, estabeleça uma rotina de usar o penico em horários específicos, como depois de comer, logo ao acordar ou antes de dormir. Se seu filho usou o penico corretamente por uma semana ou mais, pronto, o desfralde está feito! A partir daqui você deve evitar usar fralda durante o dia, porque isso pode confundir a cabecinha dele.

Da mesma forma, se seu baby prefere o vaso sanitário ao penico, não se preocupe. Alguns pequenos gostam mesmo de imitar os pais. Nesse caso, você precisa adquirir um redutor de assento para o vaso sanitário e um apoio para os pés. Lembra do que falamos sobre o instrumento de treino ser firme e seguro, né? Para ensinar como se sentar, basta você demonstrar como você faz!

A grande vantagem do penico em relação ao vaso para meninos é que, devido à altura, eles já podem aprender como direcionar o pênis corretamente, imitando o papai. No vaso sanitário, por outro lado, será necessário aprender a urinar primeiro sentado. 

Quanto às meninas, é muito importante orientá-las a usar o papel higiênico sempre no sentido de frente para trás e nunca o contrário. Isso ajuda a prevenir infecções urinárias durante toda a vida.

Sejam firmes e positivos

Os pais precisam ser pacientes e tranquilos ao longo de todo o processo de treinamento de esfíncter, estando preparados para perdas urinárias e fecais que acontecerem fora do lugar. Dessa maneira, não inicie o desfralde em uma fase de estresse para a família ou para a criança, como mudança de casa ou nascimento do irmãozinho.

E lembre-se: comunicação é tudo. Use palavras de fácil compreensão da criança para se referir a tudo que envolve a ida ao banheiro. Inclusive, você deve sempre explicar que trata-se de algo natural, e nunca reprimi-la, demonstrar frustração ou nojo pelo conteúdo das fraldas. 

Nesse sentido, uma forma de naturalizar o ato é dizendo coisas como: “a partir de hoje você vai fazer xixi e cocô igual ao papai e à mamãe”. O reforço positivo, aqui, tem um papel importantíssimo. Sempre elogie seu filho quando ele sentar corretamente no penico e fizer as necessidades no lugar correto, mas nada de guloseimas e presentinhos como recompensa. Combinado? 

 

E se não funcionar?

São raros os casos de crianças com desenvolvimento neuropsicomotor normal e saudáveis que não conseguem passar pelo treinamento esfincteriano, mas pode acontecer. Nesses casos, a criança pode se recusar a se sentar no vaso ou no penico, esconder-se para defecar ou simplesmente reter as fezes.

Se isso ocorrer, o primeiro conselho é: não trave uma guerra com o processo de desfralde. A tensão com relação ao processo acabará prejudicando sua relação com o pequeno e pode destruir a autoimagem dele. Para que isso seja contornado, faça uma pequena pausa de 3 meses, e aí você pode reiniciar o processo.

Se você já tentou muitas vezes, e o bebê tem mais de 36 meses sem sinal de prontidão ou 48 meses sem ter dominado os esfíncteres, é hora de conversar com o pediatra. Algumas anomalias do desenvolvimento físico ou neuropsicomotor devem ser descartadas.

Só para exemplificar, podem estar presentes condições como transtornos do espectro autista; transtorno de déficit de atenção e hiperatividade; hipotonia; estresse tóxico; prolapso retal e anomalias da medula espinhal. 

Ufa, quanta informação! Depois de tudo isso, temos certeza que você já está ciente da importância de se dedicar a essa etapa do desenvolvimento do seu bebê. 

Além de técnica, será necessário investir tempo, paciência, além de estar alinhada com seu companheiro ou companheira para oferecer o ambiente mais tranquilo para o desfralde do pequeno. Temos confiança de que vai funcionar!

Se esse conteúdo foi útil para você, não deixe de ler nosso post sobre transtorno do espectro autista!

 

Noeh, tecnologias para cuidar da vida!

Espero que tenham gostado! Se tiver dúvida é só perguntar!

Um abraço apertado, com carinho da Noeh

 

Referências

  1. Treinamento esfincteriano | Manual de Orientação. Documento conjunto da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

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