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4 fatos incríveis sobre a educação bilíngue para crianças

By setembro 24, 2020One Comment

Com a idade escolar se aproximando, é normal ter dúvidas sobre qual o melhor método de alfabetização para a criança e como escolher a escolinha certa. Hoje, uma opção cada vez mais disponível é a educação bilíngue para crianças. Mas, será que ensinar dois idiomas tão cedo não vai deixá-la confusa? E se ela não aprender nenhum dos dois idiomas bem?

A ciência já respondeu algumas dessas perguntas, e os resultados são animadores. Isso porque, ao que parece, crianças alfabetizadas em duas línguas não confundem os idiomas, e ainda apresentam vantagens cognitivas se comparadas às crianças monolíngues. Memória, atenção e pensamento lógico, por exemplo, parecem ser mais desenvolvidos em crianças bilíngues.

Neste post, separamos 4 fatos sobre a educação bilíngue de crianças. Aqui, você vai entender como as crianças recrutam esse conhecimento e como ele ajuda em outras habilidades cognitivas. Confira!

4 fatos sobre a educação bilíngue de crianças

1. Crianças usam o cérebro inteiro para aprender um idioma

Aprender um novo idioma é uma atividade complexa em qualquer idade, porque engaja áreas diferentes do córtex cerebral. Por um lado, falar e escrever são funções ativas, enquanto ouvir e ler são atividades mais passivas. Por outro lado, existe também o processamento emocional da linguagem, percebido pela entonação ou altura da voz.

Embora não haja uma divisão anatômica e funcional perfeita, o lado esquerdo do cérebro é mais dominante nos processos lógicos e analíticos, enquanto o lado direito é mais ativo em situações emocionais e sociais. Nesse contexto, já sabemos que os neurônios das crianças são extremamente plásticos, capazes de se adaptar aos mais diversos estímulos e enriquecer suas conexões.

Sabemos, também, que depois de certa idade essa capacidade parece se estabilizar, e é nisso que reside a diferença entre aprender um idioma na primeira infância ou na vida adulta. Isso porque a atividade cerebral não é simétrica e, depois de mais velhos, ocorre uma lateralização da função linguística para o lado esquerdo.

Na criança, no entanto, a lateralização ainda não aconteceu. Isso significa que elas usam os dois hemisférios cerebrais para processar a linguagem e, portanto, adquirem melhor noção do seu uso em contextos emocionais e sociais e não apenas racionais. Isso explica o motivo pelo qual, muitas vezes, os pequenos dominam com mais facilidade e agilidade um idioma.

2. Crianças bilíngues têm consciência metalinguística

A consciência metalinguística é a habilidade de se desprender de um objeto, indo além do seu significado. Isto é, ao ouvir os fonemas que compõem a palavra “caneca”, por exemplo, a criança não só pensa no objeto caneca e em suas funções, mas é capaz de perceber que, para pronunciá-la, sua boca se abre duas vezes e que existem duas sílabas iguais.

Esse tipo de raciocínio acerca da linguagem permitiria às crianças que recebem educação bilíngue antecipar uma série de raciocínios lógicos, inclusive no âmbito dos cálculos. Assim, elas adquirem o entendimento de que existem duas palavras diferentes para representar um mesmo objeto, e também aprendem a diferenciar seus interlocutores e qual idioma usar com cada um eles.

Em suma, a educação bilíngue leva a uma melhor compreensão da estrutura e das propriedades da linguagem, por isso, as crianças não ficam confusas. Ademais, elas também têm maior facilidade em fazer a associação palavra-objeto em relação às monolíngues.

3. A educação bilíngue oferece vantagens cognitivas

Diversos estudos foram realizados com o objetivo de determinar se havia diferenças cognitivas entre crianças monolíngues e bilíngues, e a resposta foi: sim, há diferença. Acredita-se que as crianças que são educadas em dois idiomas estão acostumadas o tempo todo a prestarem mais atenção na diferença entre eles, tanto na hora de ouvir quanto para falar.

Isso acontece porque as “gavetinhas” onde ficam guardados os conhecimentos não se abrem só quando a criança precisa usar aquela língua especificamente. Ambos os idiomas estão ativas no cérebro quando a criança escolhe usar uma deles. Deu para imaginar o tamanho da ginástica mental?

Além disso, elas precisam constantemente mudar o modus operandi de um idioma para o outro, o que ajudaria no fortalecimento do córtex pré-frontal dorsolateral, estrutura importante no desempenho de funções executivas. Na prática, isso quer dizer que crianças bilíngues são mais aptas, por exemplo, a alternar a atenção entre duas tarefas, a resolver problemas e a focar nas informações que são importantes, filtrando-as das irrelevantes. De fato, em situações de conflito, precisamos de atenção seletiva e flexibilidade cognitiva.

Outro aspecto fundamental na aprendizagem infantil é a memória de trabalho, ou memória de curto prazo. Trata-se de um sistema que permite o armazenamento limitado e a manipulação temporária de informações verbais ou visuais necessárias para a compreensão, para o raciocínio e para o planejamento. Aqui, os bilíngues também levam vantagem.

 

4. O bilinguismo faz o cérebro crescer

A ativação funcional mais complexa do cérebro não produz efeitos apenas cognitivos. Estudos com exames de imagem mostraram que pessoas que estudam um segundo idioma, mesmo depois de adultas, apresentam crescimento anatômico real de determinadas regiões do cérebro relacionadas à aquisição da linguagem.

À exemplo disso, estruturas como o hipocampo, além de três regiões do córtex cerebral, ficam maiores conforme o esforço desempenhado pela pessoa no estudo da língua. Isto é, quanto maior o domínio da língua, maior o crescimento cerebral.

Nesse contexto, vale lembrar que o hipocampo é a região do cérebro que está relacionada aquisição de novos conhecimentos e à noção espacial. Finalmente, pessoas bilíngues também apresentam maior densidade da massa cinzenta do cérebro, isto é, mais corpos de neurônios e, consequentemente, de sinapses.

Escolhendo a escola bilíngue

Falar dois idiomas é uma coisa, ser alfabetizado em dois idiomas é outra. Durante a fase de alfabetização, é muito importante que você confie na escolinha e no método proposto pela instituição. Isso porque existem três formas de introduzir a leitura e a escrita: língua materna seguida da língua estrangeira; língua estrangeira seguida da materna ou ambas simultaneamente.

Algumas linhas pedagógicas acreditam que o processo de alfabetização é um só, havendo apenas uma transposição de sons entre os idiomas uma vez que a criança entende o código linguístico.

Há que se considerar, no entanto, que alguns idiomas apresentam estruturas de fala muito divergentes entre si, como o português e o alemão. Nesse caso, a criança precisa construir todo um novo sistema de linguagem para o segundo idioma, e a transposição não é muito efetiva.

No Brasil, é mais comum que as crianças sejam alfabetizadas no português e, depois, o segundo idioma é adquirido naturalmente, sem a repetição do processo de alfabetização. Isso porque a língua materna é a de maior repertório e mais presente no universo daquela criança, o que a permite elaborar hipóteses sobre a grafia das palavras.

Por fim, na hora de escolher a escolinha, não deixe de verificar a proficiência dos professores e a carga horária de exposição à segunda língua. Sempre procure avaliar, ainda, se seu filho está adquirindo proficiência em pelo menos um dos idiomas, e em hipótese alguma exerça pressão sobre ele.

Educação Bilíngue x Escola Bilíngue

Mais papais, não é só educação convencional, a dada nas escolinhas, que pode propiciar o bilinguismo. Atualmente, apesar de pequena parcela, 5% dos brasileiros falam inglês, se você é um deles, é possível construir um ambiente bilíngue desde a gravidez, propiciando a criança o contato com a segunda língua na mesma medida que tem contato com a língua mãe.

O Renato Alcici, criou todos os filhos com educação bilíngue dentro de casa. Segundo ele, nos momentos de lazer, na hora de chamar a atenção, nas brincadeiras, sempre fazia o uso do inglês, e, hoje com os filhos adolescentes, se diz muito feliz com os resultados alcançados, não só no que diz respeito à absorção que os filhos tiveram com o segundo idioma desde muito cedo, mas principalmente pelos laços construídos durante todo o processo.

“Ajudar mães e pais a criar seus filhos com o inglês em casa se tornou, verdadeiramente, meu grande propósito!” Renato Alcici.

Outro recurso que temos hoje para auxiliar o bilinguismo na primeira infância são os aplicativos, filmes e programas televisivos! Apesar de ser necessário controlar a exposição das crianças as telas o uso delas pode ser um grande aliado na educação do seu filho. O applicativo Hugme é um grande aliado na educação bilíngue pois possibilita que o aprendizado ocorra naturalmente através dos personagens e suas histórias lúdicas. Possui músicas rimadas que são utilizadas para uma divertida fixação, além de incentivarem a fala, a expressão corporal e a habilidade motora.

Resuminho…

Ao contrário do que muita gente pensa, a educação bilíngue não confunde as crianças, mas também não deve ser vista como uma fábrica de gênios-mirins. O que podemos afirmar, hoje, é que bilinguismo torna o cérebro mais engajado, saudável e complexamente ativado. Isso pode, sim, oferecer vantagens cognitivas e melhor desempenho em tarefas que envolvem atenção seletiva, planejamento, alternância de foco e resolução de problemas.

Nunca deixe, no entanto, de estudar direitinho qual é o método pedagógico proposto pela escola e a qualificação dos educadores para executá-lo. Combinado?

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Espero que tenham gostado! Se tiver dúvida é só perguntar!

Um abraço apertado, com carinho da Noeh

 

Referencias

  • Morales, J., Calvo, A., & Bialystok, E. (2013). Working memory development in monolingual and bilingual children. Journal of Experimental Child Psychology, 114(2), 187–202. doi:10.1016/j.jecp.2012.09.002
  • Poulin-Dubois D, Blaye A, Coutya J, Bialystok E. The effects of bilingualism on toddlers’ executive functioning. J Exp Child Psychol. 2011;108(3):567-579. doi:10.1016/j.jecp.2010.10.009
  • Bialystok, E. (2011). Coordination of executive functions in monolingual and bilingual children. Journal of Experimental Child Psychology, 110(3), 461–468. doi:10.1016/j.jecp.2011.05.005
  • Mårtensson, J. et al., 2012. Growth of language-related brain areas after foreign language learning. NeuroImage, 63 (1).
  • Benefícios de um cérebro bilíngue. TED-Ed.
  • Como funciona a Memória de Trabalho? Influências na aprendizagem de crianças com dificuldades de aprendizagem e crianças com desordem coordenativa desenvolvimental. Larissa W. Zanella, Nadia C. Valentini