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Coisas de bebê: meu bebê anda torto?

By novembro 11, 2020novembro 16th, 2020No Comments

Coisas de bebê: o meu bebê anda torto? Uma das questões que mais chegam até nós é sobre porque o bebê anda torto. Mas, será que isso é preocupante? O que é típico e atípico para a idade do seu bebê? Vamos conversar sobre isso?

Muito prazer, eu sou a Liria, Diretora de Pesquisa da Anamê e, juntos vamos caminhar neste mundo dos bebês nos seus primeiros 1000 dias…

Meu bebê anda torto?

Todos nós temos um pensamento mecânico, simplista: de causa e efeito. Se meu filho anda torto, ele tem um problema ou uma causa única que deve ser rapidamente diagnosticada. Com certeza, se temos algum problema temos mesmo que tentar resolver mas, nem tudo é assim direto, nem tudo tem uma solução única.

Durante os primeiros anos de vida há diferenças na forma de caminhar das crianças, principalmente, quando comparamos aos adultos. Mas, muitas delas são comuns e adaptativas e portanto, se resolvem com o desenvolvimento motor da criança, outras precisam mesmo de assistência médica. Mas, como diferenciar?

Primeiramente, é importante considerar que há variações no padrão de marcha das crianças e isso depende da idade que isso ocorre e, muitas vezes também podem estar correlacionadas com o histórico familiar, ou seja, se você caminhava torto, existe uma grande possibilidade do seu filho caminhar desse jeito também.

Meu bebê anda torto? Os primeiros mil dias

É bom saber que é típico até os três anos de vida, que a forma de caminhar não seja igual a de um adulto. Nessa fase inicial é totalmente compreensível uma a criança ter uma base mais larga, com uma cadência rápida e passos curtos. Nesse sentido, temos que lembrar que nessa fase ela está aprendendo a associar o equilíbrio na postura ortostática ao mesmo tempo em que movimenta o centro de massa para frente (falamos um pouco sobre isso aqui).

Os bebês no início da fase de desenvolvimento da marcha, tem a base alargada na fase de apoio da marcha e, aparentemente tem passos curtos e pé plano com os braços abduzidos para ajudar no equilíbrio. Os membros inferiores são rodados externamente, com um certo grau de arqueamento. Além disso é comum o andar com os dedos para fora ou para dentro.

O movimento de “rolar” o pé durante a marcha, ou seja, o padrão de toque do calcanhar no início da fase de apoio, se desenvolve a partir dos 18 meses, concomitantemente com o balanceio recíproco dos braços. Geralmente a criança começa a correr e consegue se locomover mudando de direção só depois de 2 anos de idade.

E é só na idade escolar que o comprimento do passo aumenta e a frequência dos passos diminui. O caminhar como o do adulto só é esperado em torno dos oito anos de idade.

Meu bebê anda torto? Variações normais no andar

Na forma de caminhar dos bebês, principalmente, na fase de aquisição da marcah, existem variações que são consideradas normais em crianças mas, que levam a preocupações dos pais com muita frequência.

Andar na ponta dos pés

O andar na ponta dos pés é comum até os 3 anos de idade, ou seja, na maioria das vezes isso é temporário e muitos dos casos se resolvem espontâneamente. Geralmente é associado a imaturidade do sistema nervoso central da criança, Mas, se pensarmos que a criança está aprendendo a caminhar e que a formação dos seus pés ainda está em desenvolvimento, o andar na ponta do pé é um ótimo exercício de fortalecimento dos músculos e um desafio para o equilíbrio da criança. Geralmente, ela está brincando e verificando suas possibilidades de movimento.

Mais de 1400 crianças participaram de um estudo na Suécia. Os resultados deste estudo, publicados no Pediatrics em 2012, mostrou que mais da metade das crianças que andavam na ponta dos pés, pararam espontâneamente em torno dos 5 anos de idade, ainda assim, sem apresentar nenhum problema de desenvolvimento motor ou neurológico.

Apesar disso, quando esse andar está relacionado com a falta de mobilidade articular do tornozelo, por exemplo, a não possibilidade de dorsiflexão isso é chamado de deformidade em equino.  Segundo a Revista Brasileira de Ortopedia, essa deformidade pode ser dinâmica (que aparece só quando a criança caminha) ou estrutural (a criança não consegue colocar o calcanhar no chão) e geralmente está mais associada a problemas neurológicos.

Andar com os pés para dentro ou para fora

O andar com os pés para dentro (toe in) ou para fora (toe out) é uma característica também muito comum nas crianças, principalmente na fase de aquisição da marcha. Geralmente, ela se resolve espontaneamente até os 3 anos de idade, se isso não acontecer converse com seu pediatra.

Geralmente, essas rotações para dentro ou para fora é causada pela curvatura dos pés, leve rotação dos ossos da coxa ou da perna.

Entre 0 a 18 meses

Em bebês até os 18 meses, geralmente é um desvio medial do antepé em relação ao retropé ou adução do antepé  que causa a marcha com os pés para dentro. Essa condição é chamada de metatarso aduto e afeta 1 a 2 bebês a cada 1000 nascidos. Frequentemente está associada ao posicionamento do bebê no útero. Nesses casos, o bebê estava geralmente posicionado com os pés para dentro. Uma vez que o bebê não está mais na barriga e, a posição é alterada, a curvatura do pé pode se posicionar de forma mais alinhada. Aproximadamente 85% dos casos de metatarso aduto se resolvem espontâneamente, dentro dos primeiros 18 meses de vida.

Entre 18 meses a 3 anos:

Nessa faixa etária, a causa mais comum de marcha com os pés para dentro ou para fora é a torsão tibial. A torsão da tíbia é o termo utilizado para a rotação do osso da perna (tíbia). Por exemplo, se a tíbia roda para dentro, durante a marcha o pé vira para dentro. Se a tíbia roda para fora a criança irá caminhar com o pés para fora. Na maioria dos casos também está associada a posição fetal e se reposiciona naturalmente durante os três primeiros anos de vida. Apesar de algumas crianças apresentaram uma torsão tibial maior que outras, 95% de alterações da marcha causadas pela torsão tibial se resolvem gradualmente e espontâneamnete com o crescimento e a rotação natural da tibia em torno dos 5 anos de idade.

Entre 3 a 8 anos:

Nessa idade a causa mais comum de desvio medial ou lateral da marcha é a posição do fêmur. No nascimento, a porção superior do fêmur é rodada internamente em torno de 40 graus mas, ao longo do desenvolvimento da criança, o fêmur roda naturalmente e esse ângulo diminui em torno de 15 graus. Isso acontece até os 10 anos de idade. Até lá, essa condição pode sim afetar como a criança senta e caminha. 99% melhora com o desenvolvimento da criança.

Pés planos

Antes de mais nada, pés planos são comuns nessa faixa etária. A maioria das crianças tem ainda um pé flexível com um arco normal quando anda na ponta dos pés. O pé plano geralmente se resolve em torno dos 6 anos de idade. Maiores informações temos aqui.

Se essas variações que são consideradas normais, persistirem além da idade descrita, são progressiva ou assimétrica ou ainda se há dor ou limitação funcional (ou evidência de doença neurológica) então é necessário a procura de um especialista. Em casos raros eles podem estar associados com outros problemas de saúde que devem ser investigados.

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Anamê, tecnologias para cuidar da vida!

Espero que tenham gostado! Se tiver dúvida é só perguntar que iremos te responder!

Um abraço apertado, com carinho da Liria da Anamê

Dra. Liria Okai-Nóbrega. Pesquisadora, Doutora em neurociências e pós doutora em ciências da Reabilitação.

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