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Sinais de autismo no bebê e os marcos do desenvolvimento

By junho 28, 2020julho 28th, 20203 Comments

Sinais de autismo

Você sabia que a condição que geralmente conhecemos como autismo é, na realidade, um amplo espectro de doenças com sintomas diferentes? Os sinais de autismo que cada paciente apresenta podem ser muito diferentes entre si, porque o Transtorno do Espectro Autista é um grupo de distúrbios neuropsiquiátricos que possuem causas e níveis de gravidade distintos.

A Organização Mundial de Saúde estimou, em 2010, que 0,76% das crianças do mundo tinham TEA. Esse número, no entanto, é subestimado devido ao subdiagnóstico, sobretudo em países pouco desenvolvidos. 

O post de hoje vem esclarecer o que é esse transtorno e quais sinais precoces podem ser observados logo nos primeiros meses de vida. Por fim, você vai entender a relação entre o autismo e o desenvolvimento da marcha do bebê. Confira!

O que é TEA?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, trata-se de “um transtorno do desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos”. Apesar da definição, é preciso tomar consciência de que esses são aspectos centrais de uma doença que pode se apresentar clinicamente de formas muito variáveis.

Crianças autistas, portanto, podem ser bastante diferentes entre si, e possuir variados graus de comprometimento. Embora não haja cura para os transtornos do espectro, existem diversas formas de intervenção precoce que podem amenizar os sintomas e melhorar o prognóstico do seu filho. 

Dentro do mesmo contexto do autismo, você já pode ter ouvido falar também na Síndrome de Asperger. Esse é um dos diagnósticos que foi incluído dentro do grupo de doenças que fazem parte do espectro autista. Aqui, no entanto, os sinais de autismo não são precoces: pacientes portadores Asperger geralmente recebem um diagnóstico mais tardio, porque não possuem atraso da linguagem verbal e nem comprometimento da cognição.

Ainda assim, Asperger está no grupo dos TEA porque o discurso dessas crianças não possui entonação e pode ser empobrecido em termos de contato visual, expressão facial e interesse no outro. Essas crianças tendem a desviar o olhar com frequência e a socializarem muito pouco. Mas, não se engane: indivíduos dentro do TEA podem desenvolver habilidades supranormais em diversas áreas, portanto, é importante saber valorizar a inteligência desses indivíduos à sua maneira.

A partir de que idade aparecem sinais de autismo?

Na maioria das vezes, o papai e a mamãe só recebem o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista por volta dos 4 ou 5 anos de idade, mesmo que ele tenha origem já logo nos primeiros anos de vida. Os sinais de autismo geralmente aparecem entre os 12 e 24 meses de idade. Se você tem um bebê nessa idade, é hora de redobrar a atenção em cima dos marcos do desenvolvimento.

O diagnóstico precoce do autismo está relacionado a uma melhora significativa de seu desenvolvimento cognitivo e adaptativo, e pode até impedir a progressão da doença em algum nível. Vale lembrar que a primeira infância é o período de maior plasticidade neuronal, ou seja, alta capacidade dos neurônios se moldarem a se adaptarem diante de estímulos específicos.

Conheça os sinais de autismo

Como você já sabe, o TEA afeta principalmente a capacidade comunicativa e social do indivíduo, podendo haver repercussões no controle motor e na sensibilidade. Na sequência, você confere uma lista de alterações que podem ser observadas em crianças com TEA no primeiro ano de vida:

  • com um mês de vida, não segue com o olhar pessoas e objetos próximos;
  • ao fim do primeiro trimestre, não apresenta sorriso social;
  • perda de habilidades/marcos do desenvolvimento já adquiridos, como balbuciar ou fazer gesto de alcançar. Essa alteração merece atenção em qualquer idade;
  • não sustenta atenção no rosto humano, preferindo objetos;
  • não se sente atraída por sons, ruídos e vozes;
  • aos 6 meses, quando se inicia a lalação, apresenta pouca ou nenhuma vocalização; 
  • também aos 6 meses, apresenta imitação pobre;  
  • quando alcança 8 meses, não responde quando chamada pelo nome;
  • aos 9 meses, não apresenta ansiedade de separação;
  • com 9 meses, não balbucia “mama” e “papa”;
  • se incomoda excessivamente com ruídos altos (tampa os ouvidos); 
  • apresenta distúrbio do sono;
  • fica irritada no colo;
  • intolerância ao toque, reagindo com agressividade e evitando andar em superfícies texturizadas, como grama ou areia;
  • possui baixa responsividade na hora de mamar;
  • possui atraso no desenvolvimento motor; 
  • sensibilidade diminuída a recompensas sociais;
  • afeto negativo: aspecto do humor que sugere angústia, insatisfação, raiva ou medo;
  • evita sabores e cheiros comuns na alimentação infantil.

Todos esses aspectos serão observados pelo pediatra durante as consultas de puericultura, mas é extremamente importante que a família também saiba o que esperar do desenvolvimento do bebê a cada mês do primeiro ano. 

Diante de algum desses sintomas, o médico fará orientações sobre a organização da rotina, estímulos necessários e a necessidade de consultas multiprofissionais. 

Qual é a origem do problema?

O TEA é um transtorno multifatorial causado pela interação de fatores genéticos e ambientais. No que diz respeito ao componente genético, são possíveis combinações entre centenas ou milhares de genes que resultam nos mais variados fenótipos. Por isso, há um espectro de agravos do transtorno e não apenas uma doença bem definida e única para todas as crianças acometidas.

Entre os fatores ambientais relacionados ao autismo estão: idade avançada dos pais no momento da concepção; criança exposta a estado extremo de negligência; exposição pré-natal a algumas substâncias e medicamentos, além de prematuridade e baixo peso ao nascer. 

Autismo e alterações da marcha

A literatura científica vem defendendo que as alterações de controle motor, postura e marcha sejam vistas como sinais de autismo tão centrais quanto o prejuízo social e linguístico. Isso porque essas alterações predispõem a criança a lesões das articulações, dor e fadiga, prejudicando significativamente sua qualidade de vida.

As alterações motoras do espectro autista podem ir da hipotonia à rigidez muscular, passando também pela acinesia e pela bradicinesia (conceitos ligados à lentificação ou ausência de movimentos voluntários). Quanto ao padrão de marcha, observou-se que, sobretudo entre crianças que tiveram diagnóstico tardio, a ponta dos pés é muito usada durante a caminhada.

Além do achado da marcha em pontas, crianças autistas adotam uma postura assimétrica do braço em uma tentativa de manter o equilíbrio. Esse padrão sugere o acometimento do cerebelo, órgão responsável pela coordenação motora e pelo planejamento do movimento. Portadores do TEA, por fim, apresentam fraqueza do arco plantar, além de anomalias dos ângulos dos quadris (maior flexão) e tornozelos. 

Até o momento presente, não existe um tratamento definitivo para as doenças do espectro. A dificuldade em se ter um tratamento único parte justamente do fato de que a doença é multifatorial. Portanto, a abordagem médica atualmente visa tratar os sinais de autismo mais comuns e melhorar a qualidade de vida da família e da criança.

Se seu bebê for diagnosticado com TEA, ele se beneficiará de uma intervenção multidisciplinar de acordo com os sintomas que forem aparecendo durante seu desenvolvimento. A terapia de integração sensorial, a terapia cognitivo-comportamental, o modelo Denver de intervenção precoce e o aconselhamento parental são algumas das opções que devem ser conversadas com o neuropediatra. Em muitos casos, a terapia medicamentosa deverá ser indicada. 

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Noeh, tecnologias para cuidar da vida!

Espero que tenham gostado! Se tiver dúvida é só perguntar!

Um abraço apertado, com carinho da Noeh

 

Referências

  1. Resgate do Pediatra Geral. Consenso do  Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da  SBP.
  2. TEA. Manual de Orientação Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento.
  3. The Changing Epidemiology of Autism Spectrum Disorders. Annu Rev Public Health, 2017 
  4. Análise do Padrão de Marcha do Espectro Autista. II Congresso de Pesquisa e Extensão da FSG

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