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Diabetes tipo 1: por que você deve se preocupar?

Quando o assunto é diabetes, é preciso ficar claro que não estamos falando sobre uma única condição. A diabetes tipo 1, por exemplo, é aquela que mais atinge nossos pequenos. Não é à toa que o Brasil ocupa a terceira posição mundial de casos.

Falando especificamente sobre a diabetes mellitus tipo 1 (DM1), ela representa a segunda doença crônica mais vista na infância. Por outro lado, o tipo 2 é mais comum nos adultos, sobretudo nos obesos. 

Diante de tamanha relevância, não podemos deixar de explicar aos pais alguns aspectos importantes. O primeiro deles é saber identificar os sintomas para procurar ajuda médica. Então, isso e muito mais você confere abaixo!

Entenda o que é a doença

Primeiramente, vamos a uma pequena aulinha. A energia que nosso corpo precisa para sobreviver é obtida por meio de glicose. Portanto, toda vez que alimentamos, os níveis de glicose no sangue se elevam e ela precisa ser capturada pelas células.

Quem faz a mediação desse processo é um hormônio chamado insulina. Ele permite a captura da glicose no sangue e, a partir dela, as células produzem e estocam energia.

Quando necessário, um outro hormônio chamado glucagon vai ser responsável por capturar a energia estocada e enviar para onde precisa.

Agora uma informação importante: na diabetes tipo 1, o pâncreas não consegue produzir insulina. Isso porque há destruição das células que fabricam o hormônio, as chamadas beta-pancreáticas. Então, a DM1 é uma doença autoimune, com destruição, pelo próprio corpo, das células produtoras de insulina.

É muito importante entender esse mecanismo por ele quem vai determinar o tratamento e, ainda, os principais sintomas. Afinal, se a pessoa não estoca energia, como isso vai se manifestar?

Saiba quais os sintomas

Vamos pensar aos poucos! Se a criança não consegue captar glicose no sangue nem estocar em forma de energia, como estará a disposição dela? Isso mesmo: bem reduzida. Então, você percebe que o pequeno está mais cansado que o habitual.

Outro ponto importante está relacionado ao peso dele. Novamente, sem renovar o estoque de energia, é preciso captar tudo aquilo que já estava guardado. Dessa forma, a criança vai  perder peso rapidamente.

Outro sintomas muito importante é que a criança vai fazer mais xixi. Com isso, a perda de água vai aumentar e, consequentemente, ela vai sentir mais sede, tudo isso para fazer reposição hídrica. 

Por fim, assim como a sede aumenta, a fome também vai. Afinal, não importa quanto comer, se a glicose não se transformar em energia, o organismo tende a precisar de mais alimento.

De modo geral, todos os sintomas refletem as consequências de ter muita glicose no sangue e pouca energia estocada.

Veja como é feito o diagnóstico da Diabetes tipo 1

Finalmente, diante de tantos sinais e sintomas, o próximo passo é confirmar a diabetes tipo 1. Para isso, os exames laboratoriais são indispensáveis. São eles quem vão informar se os níveis de glicose estão elevados ou não.

Vale ressaltar que existem diferentes tipos de testes, cada um com seus respectivos valores de referência. A glicemia de jejum, por exemplo, estabelece como corte o valor de 126 mg/dL. 

Por outro lado, a glicemia ao acaso, ou seja, sem jejum, também pode fechar diagnóstico, desde que seja superior a 200 mg/dL associado a sintomas. Ah, não é permitido fazer diagnóstico apenas com glicemia capilar — aquela da picadinha no dedo!

Existem, ainda, outros exames mais específicos, como o teste oral de tolerância à glicose e a hemoglobina glicada. Não vamos nos aprofundar, mas vale a pena saber que este segundo avalia de maneira retrospectiva os últimos meses.

Por último, existem testes ainda mais específicos para classificar se realmente é diabetes tipo 1. Neste caso, é feita a dosagem do peptídeo C, uma substância liberada durante a produção de insulina.

Descubra como é o tratamento

Novamente, precisamos lembrar que na diabetes tipo 1 não há produção de insulina. Portanto, o tratamento consiste, basicamente, em injeções da substância. 

Porém, existem diversas maneiras de planejar essa reposição. A primeira delas considera algumas aplicações basais ao longo do dia. Já uma segunda maneira vai requerer injeções extras para correção.

Por fim, existe um dispositivo chamado bomba de insulina. Ele é um dos avanços no tratamento, pois permite infusão contínua de acordo com a necessidade do organismo.

Agora, vale ressaltar a importância de fazer a medição da insulina capilar. Embora ela não seja adequada para diagnóstico, é indispensável para o tratamento. Assim, as aferições ao longo do dia vão dizer se os níveis estão ficando muito altos ou muito baixos.

Lembre-se, ainda, que a hipoglicemia também provoca repercussões negativas, como tonturas, confusão mental, sudorese, dentre outros.

Mas nem só de aplicações o tratamento é composto. Ele requer, também, uma importante educação em saúde dos cuidadores. Assim, eles vão planejar melhor as refeições, com contagem de carboidratos e possíveis substituições de alimentos.

Quanto mais capacitados os pais estiverem no manejo, mais os filhos poderão aprender. Afinal, a diabetes tipo 1 não tem cura, mas o manejo correto na infância e ao longo da vida vai evitar complicações.

Conheça algumas complicações da Diabetes tipo 1

Por último, vamos conversar sobre uma complicação muito grave do diabetes tipo 1: a cetoacidose diabética. Essa condição é uma urgência médica, que requer busca imediata pelo pronto atendimento e internação hospitalar.

Então, cabe aos pais saberem reconhecer os sinais e procurar ajuda. Em suma, ela aparece quando os níveis de insulina estão muito baixos e, consequentemente, os de glicose estão elevados.

Os sintomas são aqueles que comentamos anteriormente: fraqueza, sede, tonturas e, principalmente, mau hálito. É este odor que vai indicar intensa quebra das reservas de energia no organismo. 

Se observar um quadro parecido como este, busque ajuda! Se não tratado, pode evoluir para o óbito. Viu como é importante conhecer a condição?

De forma geral, o diabetes tipo 1 é passível de tratamento e controle. Porém, para que tudo ocorra da melhor maneira, é preciso existir uma importante educação em saúde.

Reconhecer sintomas, identificar hipo e hiperglicemia e realizar o controle glicêmico é fundamental para evitar complicações. Por fim, pode ser necessário um acompanhamento psicológico não só para a criança, mas para a família como um todo.

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Referências

“Diabetes Mellitus Tipo 1 e qualidade de vida relacionada à saúde”: temas de documento do DC de Endocrinologia da SBP. Sociedade Brasileira de Pediatria.

Diabetes Mellitus Tipo 1 e 2 – Diagnóstico e Manejo. Residência Pediátrica.

Diretrizes 2019-2020. Sociedade Brasileira de Diabetes.

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